Início :: Novidades :: Novidades :: Cresce o número de mulheres que desejam ser aeronautas. Hoje, já são mais de 600 em atividade

Cresce o número de mulheres que desejam ser aeronautas. Hoje, já são mais de 600 em atividade

Elas deixaram de lado a vida noturna agitada, a poupança para comprar um carro novo e as viagens ao exterior e adiaram (pelo menos, por enquanto) a ideia de se tornarem mães. No entanto, capricham na escolha dos esmaltes e no corte de cabelo e nunca esquecem o filtro solar. Por isso, não se assuste ao se deparar com uma linda comandante pilotando a aeronave que o levará a São Paulo ou o helicóptero que fará um passeio pelo Rio. Assim são as jovens aviadoras cariocas.

Acompanhando a ampliação do mercado de aviação, cresce o número de mulheres que desejam trabalhar como pilotos de helicópteros e aviões comerciais. No ano passado, 185 mulheres tiveram licença concedida pela Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC), enquanto em 2000 foram apenas 58, um aumento de 218%. Até o fim de 2012, já eram 638 mulheres em atividade no ramo. E, para isso, elas investem alto. O curso de formação custa em torno de R$ 80 mil.

— Há 50 anos, era raro ver uma mulher pilotando uma aeronave. Hoje, o quadro de funcionários de grandes empresas aéreas conta com uma significativa participação feminina. Na Azul Linhas Aéreas, não consideramos o gênero um fator de empecilho para contratar profissionais nem fazemos um processo de seleção menos rigoroso com as mulheres. O crescimento é uma conquista delas — afirma Gianfranco Beting, diretor de Comunicação e Marca da Azul.

Com 1,60 metro, corpo esbelto por conta da intensa rotina de malhação, fios bem cuidados e um estiloso par de óculos Ray-Ban, a comandante Ticiana Coelho chama atenção por onde passa. Mas a carioca ressalta:

— Apesar da vaidade, levamos o nosso trabalho muito a sério. Depois que entramos na cabine, esquecemos se o cabelo está bom ou se é preciso retocar o batom — diz Ticiana, que escolheu o mercado de offshore para atuar na carreira de aeronauta.

Quando era pequena, a comandante Danny Costa e Silva acompanhou uma operação da Polícia Militar pela janela do seu quarto. O barulho e a ventania provocados pelo helicóptero, em vez a assustarem, fizeram com que o coração da menina batesse mais forte. O tempo passou, a jovem se formou em Marketing, conseguiu um emprego estável, mas decidiu arriscar.

— Foi complicado começar novamente do zero. No início, minha família achou que eu havia surtado. Minha mãe chegou a desligar o telefone na minha cara. Já o meu marido ficou receoso, pois o mercado ainda conta com muitos homens. Mesmo assim, parei a minha vida e estudei muito. Na época, cheguei até a ganhar uns quilinhos. O interessante é que hoje minha família tem orgulho da profissão que escolhi. Até o meu marido vive sorrindo depois que ele descobriu quanto eu ganho — conta a comandante, que recebe entre R$ 10 mil e R$ 15 mil por mês, pilotando helicópteros para plataformas de petróleo e atuando como instrutora de voo.

Um longo caminho até o decolar

Futuros aeronautas devem ter em mente que a carreira exige um caminho longo e requer muito investimento. Para ser piloto privado, controlar aviões ou helicópteros pequenos, por exemplo, é necessário fazer um curso teórico de cinco meses, passar por um exame de certificação de capacidade física, realizar uma prova de cem questões da Anac e ter pelo menos 40 horas de voo. Se você pensa que acabou por aí, está enganado. Os pilotos que desejam trabalhar com táxis-aéreos, aviões particulares ou em companhias aéreas retornam à sala de aula para o curso teórico de piloto comercial. Para atingir esta etapa são necessárias mais 60 horas de voo. O investimento total fica entre R$ 75 mil e R$ 80 mil. E os iniciantes ganham em torno de R$ 6 mil.

— É uma carreira para quem não deseja ganhar dinheiro rápido. É um investimento para toda a vida. As turmas começam cheias, mas o alto custo faz muitos desistirem — ressalta a israelense Sandy Philips, que, mesmo com uma filha pequena, acaba de se desfazer de seu apartamento para concluir o curso, seu grande sonho.

Moradora do Humaitá, Gabriela Aragão teve que largar o emprego na área de Administração, para se dedicar à carreira. Mas, ao contrário de algumas colegas de turma, contou com total apoio da família. Ela está prestes a terminar o curso de piloto privado na Skylab, escola de aviação localizada no Aeroporto Santos Dumont, que tem parceria com a Heli-Rio, uma empresa de táxi-aéreo da Barra da Tijuca. É de lá que as alunas saem para as aulas práticas, que incluem voltas no Cristo Redentor e na orla de Copacabana.

E para comandar essa nova geração de aviadoras, a Heli-Rio conta com uma aprendiz de piloto, a sócia e aluna Valéria Gaia, que seguiu os passos do pai, o piloto Valério Mouzo. Este, por sua vez, levou adiante o sonho de um tio, que abriu a Heli-Rio ainda na década de 1980.

— Acho que a paixão pela aviação está no sangue. No início, eu não levei a sério, mas fiquei impressionado com o empenho da minha filha nas aulas práticas. Mesmo com tantos familiares contrários à ideia, principalmente a mãe dela, ela resolveu seguir em frente, o que foi muito bom. O mercado precisa de comandantes sérios. Controlar aeronaves não é brincadeira — diz Mouzo.

Fonte: O Globo Online (Por: Monique Vasconcellos)