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Região Sul concentra segundo lugar no cenário nacional em acidentes aeronáuticos

A maioria dos problemas estão relacionados a instrução de voo e decisão dos pilotos em situações adversas

Mônica Foltran
monica.foltran@diario.com.br

Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, (Cenipa) apontam aeroclubes e escolas de aviação, da região Sul do Brasil como responsáveis por cerca de 60% das ocorrências aeronáuticas investigadas nos últimos cinco anos, superando os números da aviação agrícola e demais segmentos da aviação geral.

Os dados mostram ainda que entre 2004 e 2013, o julgamento de pilotagem, ou seja, quando pilotos decidem diante de situações inusitadas; a aplicação de comandos; a supervisão e o planejamento gerencial são os principais fatores que aparecem nas investigações de acidentes da aviação de instrução.

Entre os dados divulgados pelo Cenipa, na região Sul, o Rio Grande do Sul registra o maior número de acidentes sendo 47,14%, seguido pelo Paraná com 34,29% e Santa Catarina em terceiro lugar com 18,57% dos acidentes de instrução.

Para reverter este quadro, o 5º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa V) realiza o segundo Estágio de Padronização de Instrução Aérea (EPIA) entre os dias 20 e 21 de agosto, em Florianópolis.

O evento que aborda a segurança de voo reúne diretores de aeroclubes e de escolas de aviação, gerentes de segurança operacional, instrutores de voo e alunos.

Formação de instrutores

O EPIA é uma atividade de prevenção que padroniza o aperfeiçoamento da atividade aérea de instrutores de voo trabalhando no bom desempenho de alunos que se preparam para ingressar na profissão de piloto.

Durante as palestras investigadores do órgão regional apresentarão temas específicos, tais como: o panorama atual da aviação de instrução no Brasil, aspectos psicológicos, didática e comunicação aplicada à instrução aérea, checklist e ocorrências relacionadas, preenchimento de fichas de avaliação, aerodinâmica e desempenho em aeronaves de baixa performance, legislação, erros mais comuns em acidentes de instrução e outros.

Serviço

O que: Estágio de Padronização de Instrução Aérea (EPIA)

Quando: 20 e 21 de agosto

Onde: Centro de Ensino da Polícia Militar - Av. Madre Benvenutta, 265, Bairro Trindade, em Florianópolis

Quanto: Gratuito

Vagas: Abertas para comunidade aeronáutica preferencialmente para instrutores de voo

Inscrições: 150 vagas.Enviar email para inscricao@seripa5.aer.mil.br.

Mais informações: (51)3462-1333

"O que identificamos foram problemas na instrução"

Por telefone o Diário Catarinense entrevistou o chefe do Seripa V, o Tenente-Coronel Aviador Luís Renato Horta de Castro - idealizador do "Estágio de Padronização de Instrução Aérea" (EPIA). Confira a entrevista:

DC—Por que a região do Sul do país está em segundo lugar no ranking nacional em número de acidentes?

Tenente-Coronel Castro —As estatísticas do sul estão altas por conta de concentrarem um grande número de escolas de instrução de voo e as estatísticas estão balanceadas com o número de aeroclubes, mas a maior concentração de todas as escolas e consequentemente as maiores estatísticas ainda se encontram na região de São Paulo e Mato Grosso do Sul, sobretudo São Paulo que é a região com mais aeroclubes,.

DC—Que tipos de acidentes são estes?

Tenente-Coronel Castro —Os tipos de acidente são perda de controle no solo, perda de controle no voo e acidente no pouso, estes três são os mais frequentes. A proposta do estágio é abordar a instrução como um todo, seja no seguimento agrícola ou em voos comerciais.

DC—Está entre os principais fatores, o julgamento de pilotagem, o que exatamente ocorre nestes casos?

Tenente-Coronel Castro —Está diretamente relacionado com a capacidade de decisão do piloto. Como ele encontra situações anormais que é um reflexo da qualidade de instrução dele. Para dar um exemplo, poderia ensinar uma pessoa a fazer um tráfego padrão em uma pista, mas se o aluno já está conseguindo visualizar a velocidade que ele tem que manter, a distância da pista, eu posso incluir outros elementos, como por exemplo, a interdição da pista, o que ele faria? Este tipo de treinamento vai prover ao aluno mais elementos dentro do processo de ensino e aprendizagem.

DC—Por que estas falhas ocorrem com tanta incidência?

Tenente-Coronel Castro —O que identificamos foram muitos problema de instrução e acesso da instrução como um todo. Quando falo instrução estou falando do processo decisório do piloto do processo de julgamento dele, a aplicação de comandos da aeronave, ou seja, vários fatores que tem diretamente a ver com a instrução. Outro detalhe que a gente aborda neste estágio é a supervisão da instrução, são boas práticas, ferramentas, para prover mais dedicação e outras bases para um acompanhamento mais comprometido com o processo de aprendizagem.

DC—Os dados apontam que aeroclubes e escolas de aviação, da Região Sul do Brasil como responsáveis por cerca de 60% das ocorrências aeronáuticas. Quais as causas?

Tenente-Coronel Castro — Uma série de fatores, mas o número de ocorrências que temos na região Sul se concentram mais na aviação de instrução, que é o cidadão que entra em uma escola visando o futuro na aviação civil. Nos últimos cinco anos houve uma procura muito grande o que gerou um aquecimento no mercado. E a parte da aviação agrícola que também foi ultrapassada. Se a gente for fazer um relato diria que as duas aviações são as nossas maiores preocupações. São aqueles segmentos da aviação que a gente está sempre em contato pelas ocorrências aeronáuticas.

DC—O que está sendo feito pra reverter esse quadro?

Tenente-Coronel Castro —Acreditamos no trabalho de prevenção. A aviação agrícola também está sendo contemplada e temos tem um curso consolidado de prevenção também focado para os operadores de aerogrícolas. O serviço é montado para a prevenção na forma de aula, cursos, palestras e divulgação de ocorrências, é nisto que estamos trabalhando.

DC—Nos últimos cinco anos aumentou a procura por escolas de instrução de voo. Quais os cuidados e certificações que as pessoas devem ter na hora de procurar este tipo de serviço?

Tenente-Coronel Castro —O interessante que se faça uma pesquisa ao órgão regulador fiscalizador junto a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) para saber se aquela escola está regularizada e também procurar um histórico de acidentes daquela organização, isso pode ser feito por meio do Cenipa - orgão central dos nossos serviços regionais que divulga na sua página na internet os relatórios de acidentes.

Fonte: Diário Catarinense (http://migre.me/r7Uwn)